Shaman – Ritual (2002)

O Shaman foi fundado em 2000,depois dos desentendimentos que resultaram na saída de 3 membros do Angra, o vocalista André Matos, o Baixista Luís Mariutti e o baterista Ricardo Confessori, juntando-se a eles o guitarrista Hugo Mariutti, irmão do baixista Luís, o nomeda banda vem da musica “The Shaman” do álbum Holy Land do Angra e dos temas que a banda procurava para suas musicas. Mais tarde tiveram que mudar o nome para Shaaman, por problemas de patente, lançaram mais um álbum com essa formação, o fraco Reason (2005) que não segue a linha do primeiro álbum (uma pena..) e se separam, ficando só o baterista Confessori, junto com outros músicos que lançou o disco Immortal (2008), atualmente a banda se encontra parada, devido a volta de Ricardo Confessori ao posto de baterista do Angra.

O Shaman consegue inovador nesse álbum, soando parecido com o Angra da formação clássica, mas com sensíveis diferenças que tornam esse álbum bastante interessante, como o trabalho de guitarras de Hugo Mariutti, com solos menos técnicos e mais bem encaixados que os do Kiko Loureiro, além de bases e riffs mais pesados (inspirados nos guitarristas que passaram pela banda do Ozzy Osbourne, como o mesmo citou em entrevistas da época), e também o fato do André Matos estar voltando a cantar em tons mais agudos no estilo que o consagrou – e que ele havia abandonado no álbum Fireworks (1998) do Angra – e, principalmente pela temática e sons de fora do Heavy Metal que a banda buscou para o álbum, enquanto que, no Angra, a musica brasileira e a musica clássica caminhavam junto com o Metal, no Shaman eles resolveram abrir o leque buscando referencias em sonoridades de musicas de diversos países, rendendo o apelido de “World Metal” dado por alguns (em alusão a World Music, que tem o mesmo principio), mas indo mais afundo ainda, as letras versam sobre religiões e rituais (daí os nomes, além do da banda, o do álbum) desses países. Vou falar mais especificamente sobre algumas faixas de maior destaque pra exemplificar melhor:

Ancient Winds: é uma musica instrumental que serve como introdução do álbum, não uma intro propriamente dita, já que é bastante longa pra isso, é conduzida principalmente por teclados e alguma percussão, juntando vários sons “ambientes” num clima bastante misterioso, prepara bem o ouvinte para o espírito do álbum.

Here I Am: faixa mais rápida e pesada do disco (excetuando Pride), é também a que lembra mais os tempos de Angra, embora aqui Hugo Mariutti já comece a colocar suas manguinhas de fora.

For Tomorrow: Em minha opinião, a melhor música do álbum, a introdução gravada com violões e flautas de bambu, típica dos países andinos (todo mundo já viu aqueles tiozinhos tocando/vendendo CD’s gravados nessas flautas, ou mesmo tocando ao vivo, principalmente nos centros de grandes cidades…rs), a “latinidade” no andamento da musica, os vocais mais contidos no começo, crescendo durante a musica e a bela letra a tornam muito especial!

Time Will Come: a primeira musica da banda a aparecer na mídia, fora lançada antes, numa outra versão, num Promo-CD, aqui numa versão mais caprichada, desde a intro ao piano, até o refrão melódico e com direito até a solo de gaita de fole no meio da musica!

Over Your Head: essa versa sobre os ataques terroristas de 11/09/2001 e tem propositalmente uma sonoridade árabe, contando, inclusive, com instrumentos de percussão árabe, uma letra “profética”, e pra completar a salada, um solo de violino elétrico, com distorção e wah wah, gravado pelo grande musico Marcos Vianna (Sagrado Coração da Terra), desembocando num solo de teclado feito por Derek Sherinian (Dream Theater, Malmsteen, Planet X, etc etc..), posso chamar de salada bem temperada…rs

Fairy Tale: Foi composta na época do Fireworks do Angra ainda, sendo deixada de fora por seu forte acento folclórico (celta), tendo como intro um trecho de uma peça para coro renascentista (que não me lembro o nome nem o autor, e estou com preguiça de pesquisar à 1:30 da manhã, só lembro de ter visto um grupo cantá-la =P ), é uma balada conduzida ao piano por André Matos, alternando entre vocais contidos nas estrofes e extremamente agudos nos refrões, e passagens acústicas e pesadas respectivamente. A curiosidade por conta dessa musica é o fato dela ter entrado na trilha sonora da novela “O Beijo do Vampiro” da Rede Globo, tornando-se a faixa mais conhecida do álbum e da banda.

Ritual: Misteriosa, pesada e cadenciada, a letra descreve o tal “Ritual”, resume bem o álbum, tanto musicalmente, quanto liricamente.

Pride: Quase uma bônus track, pois está bem deslocada do resto do álbum, foi composta já no estúdio de gravação, enquanto os membros da banda passavam um som do Motorheäd (!!), portanto é bem rápida e pesada, nela o vocalista Tobias Sammet (Edguy) retribui a participação de André no seu projeto Avantasia. Mas mesmo fora do “escopo” do álbum é bem legal pra fazer cara de mau, banguear e fazer \m/ com a mão…hahahah.

Pra Ilustrar a matéria, justamente a música da novela, Fairy Tale e seu caprichadíssimo clipe, com a participação da modelo Pietra Ferrari nos agraciando com sua beleza (ai.. ai…):

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