Richie Kotzen – (Lounge – Jundiaí/SP) 16/03/2011
Talento = técnica = sucesso, certo? Errado, nem sempre essa formula dá certo, pra falar a verdade, nos dias de hoje quase nunca dá, a musica vem embalada e pronta pra consumo, seja ela “importada” ou nacional, já ditada pela moda em vigor e por seus respectivos criadores, pronta pra ser descartada no verão seguinte, ou seja, dificilmente veremos um fenômeno de publico se tornar tão relevante para a musica como o rei Elvis Presley, ou os Beatles, ou mesmo Michael Jackson, e porque estou falando tudo isso se o assunto é Richie Kotzen? Explico: Richie é um baita musico, um baita compositor e tem uma baita voz, apesar de jovem, já tem mais de 20 anos de carreira (gravou seu primeiro álbum aos 18 anos e hoje tem 40), é imensamente respeitado no meio mas seu sucesso comercial é inversamente proporcional ao seu talento (exceto no Japão,devido a sua passagem pelo Mr. Big), muitos podem creditar essa falta de popularidade a complexidade dos arranjos de sua musica, muitas vezes impossível de se rotular, no entanto ele conta com um sem número de baladas que poderiam fazer sucesso e serem trilhas sonoras de casais por ai. Claro que nem só de baladas vive a carreira dele, e sim de musicas, obviamente, calcadas no estilo único de tocar guitarra do musico (na verdade ele grava todas as vozes e instrumentos dos álbuns), basicamente ele faz um Hard Rock misturado com diversos outros estilos como Jazz/Fusion, Soul, Funk e Pop, sem medo de experimentar, sem impor limites.
Além da já longeva carreira solo, iniciada em 1989, Richie passou pelo Poison, onde gravou o álbum Native Tongue (1993), que colocou a musica Stand (composição do Richie) nas paradas americanas, gravou um álbum com o projeto Vertu (1999), junto com o mestre do baixo, Stanley Clark, e teve uma passagem relativamente longa pelo Mr. Big, substituído o também virtuoso Paul Gilbert, onde gravou os álbuns Get Over It (1999) e Actual Size (2001) que contém o hit Shine, foi nessa turnê que houve o show de despedida da banda lançado no DVD Farewell (2002), gravado no Japão, o Mr. Big voltou com sua formação clássica em 2009, com o Paul Gilbert na guitarra, enquanto Mr. Richard Kotzen lançou toneladas de álbuns solos e projetos, e passou algumas vezes pelo Brasil, inclusive gravando o CD/DVD Bootlegged In Brazil/Live In São Paulo (2008), o qual tive oportunidade de assistir (a gravação, não só o DVD =p), e agora, em 2011, a qual resenharei abaixo:
O show: Apesar do público relativamente pequeno, inclusive com pouquíssimas pessoas da cidade de Jundiaí, e de um problema com o ampli do próprio Richie tenho que dar um ponto positivo para o início, pontualmente na hora marcada (pleonasmo, eu sei), sem atrasos que alguns cometem de propósito por ai e o show entregou exatamente o que prometeu, Richie comandando o show na guitarra e nos vocais, acompanhado de mais dois músicos, baixo e bateria, esbanjando virtuosismo nas bases, solos improvisados e no seu habitual vozeirão, o set-list foi composto de algumas musicas do álbum mais recente, Peace Sign (2009), como My Messiah e Paying Dues, com musicas mais antigas como A Love Divine, High, Remember e composições dele para suas ex-bandas, as já citadas Stand e Shine (essa numa versão rápida demais pro meu gosto), e depois de voltar pro bis, pra mim ficou a expectativa, com qual ele vai encerrar? E a escolhida foi Go Faster, saindo sem tocar duas de suas musicas mais conhecidas, ambas do fenomenal álbum Mother Heads Family Reunion (1994), a pesada Socialite e a frenética faixa-titulo, um pouco decepcionante para um fã como eu, mas por outro lado, equilibrar musicas de 20 anos de carreira em aproximadamente 1h30 de show não é fácil, né? E ter a oportunidade de ver um show desse quilate tão perto de casa não é coisa pra se reclamar.
março 22, 2011 às 12:48 am
Boa Marcão!!!!!!!! Cabia mais gente, sim… mas creio que as 260 pessoas presentes fizerem do público da noite um tanto quando louvável! Principalmente se considerarmos as pouco mais de 300 pessoas presentes no Acústico, poucos dias antes, no Blackmore, em Sampa. Agora, dizer que 80% eram compostos por gente de fora de Jundiaí, é a mais pura e triste verdade…
março 22, 2011 às 12:54 am
Concordo, tinha um bom publico sim, principalmente se levarmos em consideração que o show foi numa quarta-feira, mas eu acredito que tanto o Richie Kotzen, quanto vcs da organização mereciam mais.